domingo, 28 de agosto de 2016

AGOSTO

Gloria Kyrinus , minha amiga poeta, me pediu um poema sobre o mês de agosto, perguntou se eu tinha algum. Era para a sua Oficina Lavra Palavra.
Eu não tinha,
Mas respondi: _ Faço um agora.
Respirei profundamente o ar de agosto e fiz o poema.

AGOSTO

Agosto
prepara seus ventos,
seus alvoroços,
redemoinhos
de sonhos e flores
para guardar
em cofres e canastras,
malas de madeira
do passado
cheirando a sândalo.
Agosto prepara
as sementes
de uma primavera
ainda adormecida
no horizonte.
Agosto prepara amores.

Gloria me conta: A oficina foi um sucesso. As pessoas ficaram muito emocionadas em saber que o poema foi escrito para elas.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

COISAS SIMPLES

Se a vida é por um triz, se a vida é um sopro, se é na corda bamba, se somos equilibristas entre a vida e a morte, por que desperdiçar o tempo fazendo o que não se ama?
O tempo é só o que temos e somos feitos de tempo e luz.
Se a vida não tem roteiro e vem um vento e vira tudo, para que acumular tanto, exibir tanto, se para estar vivo basta respirar? Se para estar vivo basta mergulhar no próprio tempo e no amor, já que também somos feitos de amor?
Somos tão frágeis, tecido que se desmancha, somos tão fortes, liana, corda, elo com o outro.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

SEGUNDA FEIRA

Um amigo uma vez me perguntou o que eu faço nas minhas segundas feiras.
Eu adoro  qualquer segunda feira. Porque pressupõe uma primeira que eu não sei onde fica. Talvez em Pasárgada?
Hoje, segunda-feira, posso ouvir o moinho do tempo, movido a ventania, a sudoeste, moendo folhas e pensamentos.
Bem cedinho fiz bicicleta ergométrica olhando o mar de ressaca. Fui ao Pilates. Fui ao Banco. Fui ao Correio. E me sentei no boteco na frente da Lagoa para um pingado e contemplação.
Fiquei muitos dias ausente e agora vou aos poucos retomando contato com o trabalho. Mas a fábrica de poesia não parou nem um dia. São os fios da vida que organizam o seu funcionamento, faça dor ou alegria.
No dia 1 de setembro recebo a primeira escola nesse meu retorno. E me preparo para a Feira Literária de Guaxupé. Tudo isso cabe nesta segunda feira de frio.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

CAMINHANDO POR BOTAFOGO

Estou no Rio, na cidade que já foi minha.
Caminho por Botafogo.
Minha paixão são as vilas. Elas possuem uma maneira tão delicada de falar comigo que quase choro. Sou transportada.
Encontro casarões maravilhosos.
E alguns nichos do passado.
Paro num sapateiro. Numa loja muito velha, com um chão gasto de azulejos hidráulicos, dezenas e dezenas de sapatos se esparramam, se amontoam, esperando a sua vez de serem consertados, pregados, martelados, transfigurados.
Por onde já terão caminhado esses sapatos e que ruas ainda irão percorrer cada um com sua música?

terça-feira, 2 de agosto de 2016

EM SAQUAREMA

Voltar para casa em Saquarema é receber o mundo inteiro de uma vez só, junto com o mar , o jardim, as gatas. Porque sou casada com Juan Arias, jornalista, e em suas veias correm notícias junto com seu sangue.
Vivemos um tempo em que saber de tudo quase nos asfixia e tento me proteger como posso para não me desmanchar .
Enquanto o mundo pulsa em nosso corpo, cresce em nós, como uma planta carnívora, a sensação de impotência.
Penso que trabalhar no pequeno ajuda, pequenos gestos, pequenos atos de escuta e solidariedade, fazer a vida de quem está perto da gente um pouco mais fácil, levar alegria para quem a gente pode.
Quando tenho tantas solicitações que quase me afogo, paro tudo e respiro. Muitas vezes nos esquecemos de respirar.  
Fiz uma opção de vida. Moro numa cidade muito pequena. Acho que as grandes cidades trituram as pessoas.Mas quem não pode sair tem que buscar e construir seus espaços de leveza, leitura e contemplação.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

NEBLINA

Hoje aqui na montanha o tempo virou. Amanheceu com neblina, uma poeira de irrealidade sobre todas as coisas.
Os dias escorrem e logo, feito a neblina que se dissipa, estarei em Saquarema, na minha outra vida, recebendo escolas, planejando encontros.
Esse tempo que passo aqui com a família é um grande tesouro. O que carrego para onde vou. O meu escaravelho dourado.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

E O SOL?

Frio. Quem sabe estou na Polônia, na aldeia do meu pai, quando ele era criança e rezava por um raio de sol.
O sol desapareceu.
Cozinho na lenha. Acendo a lareira. Leio. Escrevo.
O tempo vai se enrolando-desenrolando, aqui na montanha: teia de alumbramentos.

terça-feira, 19 de julho de 2016

GABRIELA

Tenho duas vidas e duas casas. Uma no mar e outra na montanha.
Na montanha é onde me encontro com os filhos e netos. Este mês de julho estou aqui, com a minha família.
Ontem trouxemos minha neta Gabriela para passear em Maringá (Visconde de Mauá é cheia de vales). Seu sonho de consumo é a loja de chocolate.
Enquanto a família se instalava num café, fomos nós duas caminhar. Gabi é falante e adoro seguir o curso do seu rio de pensamentos. A sua última moda é dizer "nem pensar" quando não quer alguma coisa. E meu neto Luis ensinou e ela repete como um mantra: "eu sou doida, eu sou doida, eu sou muito barulhenta". " Ela vai fazer três anos em novembro e não tem medo de nada. Adora atravessar a ponte e vai falando com todos os cachorros e deixa que eles cheirem a sua mão. Adora olhar o rio lá embaixo. Eu vou tentando olhar o mundo com os seus olhos.
A relação da Gabi com gatos, cachorros, cavalos, é emocionante. Todos os dias ela dá maçã ao Merlin, o cavalo do sítio (ele tem quase quarenta anos). Sabe colocá-la na terra a uma distância segura para que ele venha pegá-la. O Merlin é apaixonado por ela e deixa que ela monte a pelo.
Não existe dádiva maior do que uma criança poder viver a sua infância dentro da natureza.

domingo, 17 de julho de 2016

CLUBE DE LEITURA NA MONTANHA

No dia 16, sábado, minha pequena casa no alto de uma montanha, em Visconde de Mauá,  quase explodiu de poesia.
Uma vez por ano, no inverno nos reunimos aqui. Para sentir frio, para celebrar a vida e a literatura, com comida e vinho.
Verdade que ontem o inverno não apareceu. Fazia até um pouco de calor.
Começamos com os dois poemas dos dons do Borges e seus acordes maravilhosos fizeram com que a emoção envolvesse a sala e cada um de nós.
Lemos em voz alta o conto O Outro do Borges e Suzana Vargas falou sobre a diferença entre literatura fantástica e do absurdo e todos falamos dos nossos "outros", os que nos habitam desde a mais longínqua infância.
Falamos de Clarice e seu magnífico conto Felicidade Clandestina. Do conto como um rito de passagem. Da crueldade infantil, da crueldade do ser humano, da bondade. Da relação erótica que o leitor apaixonado tem com os livros que lê. Cada um falou de que maneira toca o  livro.  Ana , como bibliotecária do Sesc Teresópolis, falou do ciúme que tem dos livros que empresta.
Passamos para Teibele e seu Demônio do Bashevis Singer , conto delicioso, saboroso, triste e alegre, o "demônio" que sabe tocar Teibele, com suas carícias e histórias, que a desperta para o amor.
E A Balada de Adam Henry , de Ian McEwan, com o Clube cheio de advogados, Chico, Hélio, André, Christiane e um médico,Dr. José Augusto Messias, foi uma discussão maravilhosa .
Durante o almoço os advogados continuaram discutindo a questão de não se poder fazer transfusão de sangue em Testemunhas de Jeová. E Messias relatou vivências terríveis nos hospitais envolvendo esta questão.
O meu filho Chef André Murray preparou uma feijoada e nos cedeu uma funcionária, a Lurdinha, para ajudar .
Como num teatro, transformamos todos juntos a sala num restaurante para vinte e duas pessoas, pois chamei amigos daqui e a família para comer com a gente.
Dani, minha nora Chef confeiteira preparou uma torta sacher de sobremesa. Cantamos parabéns para a Bruna, aniversariante de julho.
E fomos felizes para sempre.
Nosso próximo encontro será dia 8 de outubro e vamos ler Como a Água que Corre, da Marguerite Yourcenar e cada um deve trazer um poema do Murilo Mendes. 

quinta-feira, 14 de julho de 2016

NA MONTANHA

Aqui na montanha os dias escorrem como areia dourada.
Começo a preparar o encontro do Clube de Leitura no dia 16.
Hoje chegam meus primeiros convidados.
Os dias estão esplêndidos e as noites frias e enluaradas.
Eu me alimento com a música das árvores.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

NA MONTANHA

Quando criança amava um livro que se chamava A Fada Menina. Uma menina entrava no buraco de uma árvore e saía no País das Fadas.
Parece que entrei nesse buraco e ... estou aqui na montanha, dentro do bosque.
O frio chegou à noite, de repente. Amo o frio. Amo tudo aqui. Como descrever o cheiro de mato com o cheiro do fogão de lenha aceso e o cheiro do sol, tudo junto?
Dia por dia estarei aqui para receber os amigos, o Clube de Leitura da Casa Amarela, que acontecerá aqui no dia 16.
A felicidade existe.

terça-feira, 5 de julho de 2016

PALAVRAS

Alguém já namorou uma palavra, assim de se apaixonar, de colocar na boca e sentir seu gosto misterioso, colocar no corpo feito perfuma raro?
Poetas são pessoas que se apaixonam por palavras, querem se casar com elas e as convidam para dançar no poema.E para isso o poeta tem que projetar o Salão de Dança, isto é, o poema, mesmo sem ser arquiteto, ou sendo apenas, arquiteto de nuvens e espaços siderais.
As palavras são a música do poeta, cada palavra tem, além do som, mil esconderijos. E é com elas que os poetas fabricam imagens.
Poetas são caçadores de palavras.
A prova disso? O belo poema do Drummond:

O LICOREIRO

O gosto do licor começa na idéia
licoreiro.
Digo baixinho: licoreiro.
Que sabor no som, no conhecimento do cristal
independente de licor-de-leite,
fabricação mui fina da cidade,
segredo da família de Oscarlina.

O licoreiro, vejo-o
delicioso em si, mesmo vazio
à espera de licor, de tal maneira
na forma trabalhada
habita o gosto perfumado
e em cada prisma-luz, se distribui
ao paladar da vista já gozando.

_ Que tem esse menino, a contemplar
o tempo  todo o licoreiro
se dentro dele não há nada?
Meu Deus, esse menino é viciado,
está na pua, só de olhar o licoreiro!

Carlos Drummond  de Andrade. Boitempo.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

PROFESSORAS DE ITABORAÍ NA VARANDA

Hoje a varanda foi transformada numa sala com tapetes e poltronas para receber as Professoras de Literatura das salas de Leitura de Itaboraí de 2016, pelas mãos da Ana Paula Botelho e Rosane Paiva.
Foi um dos encontros mais lindos e impactantes que tivemos aqui.
Li o poema Guardador de Rebanhos do Fernando Pessoa para contar que esse poema fez uma amiga ter a sua filha, uma decisão que foi tomada ao ouvir o poema.
Chorei muito ao ler o poema, quase não podia ler, pois o poema me trouxe para perto a amiga que amo e a sua filha, hoje uma bela mulher e é um dos poemas mais comoventes do mundo.. Contei essa história para mostrar a força de um poema, a força da literatura, que pode mudar o rumo de uma vida.
Mas elas tinham lido meu novo texto Livros e Leitores que está no meu site em formato de e book. E hoje todo o encontro foi pautado por essa evidência: "A literatura é uma defesa contra as ofensas da vida " Cesare Pavese. A literatura salva.
Lemos poemas, um conto, muitas professoras contaram suas mais belas experiências e todas me disseram: "somos amadas nas escolas e ganhamos muitos presentes".
Falamos dos laços que a literatura faz entre as pessoas. Do agradecimento dos alunos por sentir que são acolhidos.
E no final elas me entregaram um texto escrito a partir da experiência da leitura dos Livros e Leitores e chorei outra vez, porque era muita coisa ter um retorno desses.
Eu tive que aguentar tanta dor por tantos anos, que quase não consigo chorar. Um amigo diz que choro por dentro. Que meus poemas são minhas lágrimas. Mas hoje chorei.
Reproduzo um trecho do texto:
" Obrigada por nos oferecer essa linha tênue entre escritor e leitor, a qual, às vezes, julgamos intransponível. A proposta de conhecê-la era isso:permitir esse contato mais íntimo com o escritor.E você nos abre seus textos, sua poesia, a porta da sua casa literal e conotativa, a sua fala, com Café, Pão e Texto e nos alimenta de fantasia e de reflexões sobre a escola, a Literatura, nós.
Nos presenteia com o lindo texto Livros e Leitores, cujo processo de construção da leitora/ escritora vai se revelando  e nos fazendo pensar..
Frases como: A escola sem literatura é cárcere; O trabalho com a literatura não é evento, é formação do leitor; A literatura é a janela; nos permitem ter consciência do nosso lugar de docentes de literatura e de professores que formam.leitores literários, de que podemos abrir a janela e atravessá -la."

Hoje acordei muito cedo para fazer os pães. A mesa tão linda, cheia de iguarias e amor,  só faz sentido quando os meus convidados se aproximam, fazem uma roda a sua volta . Hoje essas professoras maravilhosas.  Como um livro só faz sentido quando é tocado pelos olhos de alguém.
O meu Café, Pão e Texto, nessa manhã me devolveu algo tão grande, como se o mar tivesse trazido todas as suas baleias e cavalos marinhos até a minha porta para que eu pudesse chorar.

sábado, 2 de julho de 2016

NA SERRA CASTELHANA

Existe um lugar aqui em Saquarema, na área rural, o Palmital, que adoro. Toda a área é bela. Há um lago com patinhos e gosto tanto de me sentar na sua beira . Os lagos para mim possuem um grande fascínio.
É um Hotel Fazenda . Não é original, foi construído com material de demolição. A casa é linda e a comida mineira, que fica num fogão de lenha aceso, faz qualquer um perder o juízo. E não termina aí. Os doces de fazenda, o café com biscoito feito em casa... Pena que eles retiraram as redes do segundo andar.
É tudo bem cuidado, é um passeio necessário para quem vem a Saquarema, pois, se pode ir apenas para almoçar ou passar o dia.
Andreia e Elaine nos recebem tão gentilmente que  afundamos em seus sorrisos como numa poltrona macia.
Hoje iremos até la levando dois amigos que adoramos: Gisele, que conheci quando ela era taxista no Rio de Janeiro e nos tornamos muito amigas e Arnaldo, seu marido taxista, que parece um urso. Agora eles moram em Inoã, Gisele faz transporte escolar em Maricá e as crianças a adoram. Acompanho a sua vida e ela a minha. Foi minha escudeira fiel quando em 2010 tinha que ir todos os dias fazer radioterapia. Ela foi um grande apoio. E Arnaldo me leva e me traz e torna qualquer viagem divertida. Como eu adoro histórias e os dois possuem mil e uma histórias para contar, quando estamos juntos todo o tempo é pouco.
Bom sábado para todos.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

ISTAMBUL

Sempre sonhamos com o Oriente. Desde tempos imemoriais. A Turquia, metade aqui, metade ali, sempre me pareceu uma terra absolutamente mágica.
Vi tantos documentários maravilhosos sobre Istambul.
E então, de um segundo a outro, o aeroporto explode com tantas mortes, tantos feridos, tantas vidas e sonhos despedaçados.
Como entender a mente de um terrorista? De um assassino?
São tantas mortes em Istambul e na Síria e na África e no Rio de Janeiro e em Orlando e na França e na Bélgica...
Há um mar de sangue. Um mapa de sangue que se renova todos os dias e refaz o mapa do mundo em outro desenho. Sangue grosso e viscoso de gente inocente.

terça-feira, 28 de junho de 2016

ESCOLA DUCLER

Pela primeira vez recebi uma turma de Ensino Médio em nosso Café, Pão e Texto. Monica Pimentel trouxe a turma do terceiro ano do C.E Ducler Laureano Matos, de Sampaio Correa, Saquarema.
Entre poemas e um conto, conversamos sobre muitas coisas. Os sonhos e desejos de cada um. Sobre violência e paz, sobre o suicídio de dois jovens recentemente em Saquarema, sobre gravidez precoce, sobre amor.
Perguntei a eles se já haviam participado de algum encontro assim e me disseram que não. Eram lindos. As meninas mestiças e negras com seus cabelos naturais, maravilhosos. Não faltaram cachos.O Professor Fábio leu um poema com ritmo de rap, um menino e uma menina leram meus poemas.
Fiz um pão recheado. Bolos. Muito frio e vento. Precisei emprestar alguns xales para as meninas.
Acho que ficamos todos felizes para sempre e eu torcendo para que eles consigam escolher o melhor caminho.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

PARA RESPIRAR

Escolhemos, eu e Juan Arias, viver num lugar pequeno. Saquarema fora das temporadas parece uma ilha deserta. Aqui lemos e escrevemos com a música constante do mar. Cuidamos das gatas.
E caminhamos.
E respiramos.
Respirar neste mundo de hoje anda muito difícil.
Tragédias sobre tragédias fazem uma camada espessa de lodo e quase nos asfixiamos.
A poesia ajuda a respirar.
Leio poesia diariamente. Escrevo poemas também para respirar.
Às vezes os poemas se transformam em livros.
Às vezes os poemas ajudam a respiração de outras pessoas, isso é motivo de grande alegria.
Buscar alegria também é um ofício.
As alegrias que tingem o cotidiano são como esvoaçantes borboletas azuis e amarelas, pedaços de sol. Buscar alegria é ofício de alquimista, porque às vezes basta virar um fato de cabeça para baixo, acrescentar algumas gotas de vida e a alegria que estava aprisionada escapa e inunda a casa.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

TENDÊNCIAS

Leio que uma das tendências será deixarmos de possuir coisas. Alugaremos uma televisão ou máquina de lavar. Assim fica tudo mais fácil. As fábricas nos alugam os bens e quando não os quisermos mais , ou se ficam obsoletos, ou se quebram, os devolvemos ou trocamos e as fábricas aproveitam as suas peças reciclando. Não seremos mais os donos das coisas.
Já há pessoas na Europa que anunciam: estou precisando disso ou daquilo e alguém ali por perto aluga ou empresta. A tendência será também compartilhar. Compartilhar um veículo, já é bastante comum na Europa.
Leio também que as grandes empresas num futuro bem próximo, não terão mais hierarquias. Nada de chefes!!!
Isso é uma novidade imensa e nossa mente tão ávida em nos ordenar o acúmulo de bens ( e também a obediência), terá que se reinventar.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

CAFÉ, PÃO E TEXTO COM A E.M. FRANCISCO LUIZ GONZAGA

Acordei cedinho para fazer os pães. Dia de receber a E.M.Francisco Luiz Gonzaga , de Itaboraí , para um Café, Pão e Texto.
Crianças de 7 anos, lindas, maravilhosas, encasacadinhas por causa do frio.
Um menino até veio de gorro e luva.
Primeiro botei todo mundo para correr no jardim. Deram muitas e muitas voltas e uma menina disse que o jardim parecia uma floresta!
Depois fomos para a mesa do café, cheia de bolos e pães. Eles amaram o meu pão. Uma menina disse que o pão era mais do que delicioso, era divino.
Então brincamos de poesia e as crianças eram cheias de ideias, já liam muito bem, eram super participativas, foi maravilhoso brincar com elas, porque eu viro criança e depois é difícil desvirar.
Os alunos trouxeram surpresas incríveis.
Fabricaram massinha em sala de aula e fizeram todas as frutas do Abecedário (Poético) de Frutas! Ficou muito bom.
Fizeram um livro-caixa-poema que é uma joia e pintaram um quadro.
A entrega das surpresas foi emocionante. Todos queriam falar e me abraçar e me contar.
Sorteei dois livros e as professoras ganharam dois livros cada uma.
No portão, antes de entrar no ônibus para conhecer a Igreja, são tantos abraços e beijos, sou inundada por uma cachoeira tão grande de amor, que não sei como agradecer.

terça-feira, 21 de junho de 2016

SAPIENS

O mundo está horrível ou sempre foi?
Estou quase acabando de ler Sapiens , de Yuval Noah Harari, um livro incrível sobre a História da Humanidade.
Sua leitura é obrigatória, pois desmonta muitos preconceitos e tabus e nos faz entender o que somos: destruidores, vorazes.
Mas ao mesmo tempo podemos ser sublimes, maravilhosos, criar as obras de arte mais lindas.
Onde em nossa mente fica essa fronteira? Por que alguns humanos escolhem isso e outros aquilo?

segunda-feira, 20 de junho de 2016

SEGUNDA FEIRA

Um amigo uma vez me perguntou:
_O que você faz nas tuas segundas feiras?
Devo confessar que segunda feira é um dia que amo,
Todos os meus projetos começam a dançar dentro de mim.
Parece que um grande moinho é posto em movimento. Um moinho de água e desejos.
Vou caminhando pela orla até o Pilates. Amo o Pilates. É uma hora em que faço um contato profundo com meu corpo e ainda por cima respiro!
Geralmente saio e vou tomar um pingado na frente da lagoa. Não há nada melhor do que sentar ali no bar Marisco e ficar vendo a vida. Às vezes ali mesmo escrevo um poema ou alguma ideia me pesca.
Volto caminhando.
E agora estou muito envolvida com os e books que vou colocar no site. Não penso em outra coisa.
Viver fora da cidade , em contato com a natureza em tempo integral é um grande privilégio.
Esta semana recebo uma escola de Itaboraí. E la nave va...

sexta-feira, 17 de junho de 2016

NO SALÃO DO LIVRO

A crise econômica que afeta a todos os setores da sociedade brasileira castiga duramente as editoras . O cenário que vi no Salão do Livro ontem dava uma dimensão deste momento tão difícil. Ano passado mais de sessenta editoras participavam, este ano pouco mais de trinta. O Salão está bem vazio.
É o primeiro ano em muitos que não conseguirei publicar nada, embora tenha tantos livros prontos e alguns já ilustrados.
A Editora Manati fecha suas portas em setembro, depois da Cosac Naif. É desolador. Fico com cinco livros sem casa, por enquanto.
Mas como não sou de entregar os pontos, farei alguns e books para publicar gratuitamente no meu site,.
Começo com meu relato Livros e Leitores que Elvira Vigna ilustrou e Silvia Negreiros diagramou. O trabalho das duas ficou maravilhoso e encheu meu coração de lua cheia.
Até agosto estará disponível no site.
Depois farei a coletânea de poemas Delírios para adultos e jovens, muito bom para turmas de EJA.
E finalmente espero a resposta de um grupo de dança em relação ao meu livro 37 Movimentos e Um Corpo, pois os poemas seriam dançados e o livro seria o programa do espetáculo. Se isso não acontecer publicarei em forma de e book. Mas estou torcendo para que aconteça. É meu sonho ver os poemas dançados.
Meu projeto Café, Pão e Texto me diz o quanto crianças e jovens amam poesia.
Ontem, no Salão, os adolescentes estavam pendurados nos meus versos. Foi muito bonito o encontro. Este projeto maravilhoso só me traz alegria e ontem, Rosângela Rodrigues, professora da Sala de Leitura "Nos Caminhos de Murray" da E.M.Brasil, em Olaria, R.J, me disse no Salão que em novembro voltará ao nosso Café, com aqueles jovens que se apaixonaram pela minha poesia de tal maneira que pediram para dar o meu nome para a Sala de Leitura.
Dentro da adversidade temos que encontrar atalhos de alegria para poder sobreviver.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

QUERO SER AVENTUREIRO

Vinicius, um dos adolescentes que veio ontem aqui ao nosso Café, Pão e Texto,da E.M.Roberta Maria de Itaboraí,  disse em alto e bom som que quer ser aventureiro.
Uma jovem queria ser advogada e outro médico, mas ele quer ser aventureiro.
Perguntei o que fazia um aventureiro em sua profissão?
Ele me disse: levaria as pessoas pelas florestas.
Perguntei: E o que você teria que estudar para isso?
Ele me disse que deveria estudar ciências e história.
Devo confessar que essa foi uma das coisas mais maravilhosas que ouvi nos últimos tempos.
Porque nós adultos perdemos o senso de poesia e aventura. Como se a vida fosse previsível. Como se soubéssemos o que o dia vai colocar em nossa porta. Como as coisas mais extraordinárias não pudessem acontecer.
Mas podem. A vida é uma grande aventura. Às vezes trágica, às vezes maravilhosa.
E o Vinicius sabe e nos surpreendeu ontem da maneira mais bela.
Vai, Vinicius, com teu nome de poeta, ser aventureiro na vida.

terça-feira, 14 de junho de 2016

CAFÉ< PÃO E TEXTO

A E.M. Roberta Maria, de Itaboraí, encheu a casa de alegria. Vieram ao meu Café, Pão e Texto para um dia inteiro de sonho. Comecei falando da conferência que assisti do Saramago, onde ele dizia que alguns humanos fazem parte da tribo da sensibilidade. E li meu poema Tribo e todos nos sentimos parte da mesma tribo.
Lemos juntos meu livro Coração à Deriva, ed. Rovelle, que estarei apresentando dia 16 às 14h no Salão do Livro no Rio de Janeiro. Falamos do mito das sereias, falamos de amor.
Lemos alguns poemas do livro Quem Vê Cara não Vê Coração e nos lembramos de muitos ditados populares e seus significados. E quando li os poemas do Poço dos Desejos e perguntei dos sonhos e desejos de cada um, Vinicius , um menino lindo, me disse que seu maior desejo era ser aventureiro!
Vir até a minha casa e depois almoçar ao ar livre na lagoa e visitar a igreja já é o começo da sua vida de aventureiro.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

AS COISAS SIMPLES

Recebi um vídeo mostrando que um dos Juízes do Supremo da Suécia vai de bicicleta até a estação ferroviária onde pega um trem pro trabalho. Recebe o seu salário que é de vinte e cinco mil reais e paga com o seu salário todos os seus gastos. Não tem carro com motorista nem secretárias, não tem NENHUMA mordomia. Nem cartão corporativo para fazer suas compras, claro que não. É um cidadão normal. Não tem foro privilegiado, pois o Olimpo não fica na Suécia nem na Grécia, mas sim no Brasil.
A Suécia tem intolerância zero para a corrupção e cem por cento de transparência nos gastos do Governo e do Judiciário.
Seja qual for o matiz ideológico dos políticos aqui no Brasil, suas mordomias nos humilham e aviltam a cada dia. Não importa em qual margem do rio estão. Suas mordomias e extravagâncias e futilidades são inaceitáveis porque são exercidas com dinheiro público, nosso dinheiro, nosso trabalho.
As coisas simples, as coisas claras. Isso mudaria o Brasil.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

A VOLTA

Curitibanos . Nunca tinha ouvido falar da cidade. Tudo passa a existir quando podemos tocar e sentir.
Cheguei à noite depois de uma viagem muito cansativa, pois de Navegantes até Curitibanos são muitas horas de viagem numa estrada  precária, de mão dupla lotada de caminhões.
O motorista que me levou mora num sítio e então passamos a viagem toda falando das coisas do campo. A paisagem era belíssima.
Parei para almoçar.
Chegamos e já estava quase escurecendo. Não conseguia nem pensar de tão cansada.
Tomei café da manhã com o Carlos Henrique Schroeder, escritor e grande leitor, e fomos para a abertura da Feira Literária.
Era num galpão imenso. Fazia dois graus! Mas a plateia estava lotada. A esposa do Prefeito da cidade me disse que devia haver umas quinhentas pessoas.
Depois do protocolo, crianças se apresentaram com poemas do meu livro O Circo e então aconteceu o nosso bate papo, apesar do frio intenso, bastante gostoso e nada formal.
A cidade é linda e para o dia seguinte a previsão era de muito frio! Temperatura negativa.
Mas saí nesta mesma tarde para Balneário Camboriú, ao lado de Navegantes, de onde partiria meu voo.
Paramos num lugarzinho de caminhoneiros para comer, seguindo o conselho do meu filho Chef André Murray: lugar onde comem os caminhoneiros a comida costuma ser boa. E Juan, meu marido diz que na Itália e na Espanha também.
Cheguei morta, claro, mas o motorista era excelente, Senhor Fábio de Souza. Recomendo.
Acordei descansada e pronta para caminhar. É linda a orla de Balneário Camboriú. Andei uma hora, fazia frio e sol e parecia que eu andava dentro de uma bela música.
Depois atravessei o rio de balsa para chegar a Navegantes. Pena que não dura nem cinco minutos porque é muito bonito.
Depois, enquanto passei horas no aeroporto, estava na Nigéria lendo o romance premiado Americanah de Chimanda Ngozi Adichie, que comprei na Feira. Nem vi o tempo passar e por causa do livro quase perdi meu voo, mudaram o portão e não reparei. Saí desabalada mas deu tudo certo.
E hoje com o mar tão selvagem, caminhei uma hora, maravilhada, dentro do vento.  

domingo, 5 de junho de 2016

BABEL OUTRA VEZ

Em 1997 ganhei a Babel, mistura de siamesa com angorá. Ela foi a nossa grande paixão e com 14 anos partiu. Durantes anos ainda víamos Babel chegando pelo muro e entrando na casa. Sua presença era muito forte.
Pois agora chegou um filhote pelo muro, do jeitinho da Babel, siamês como ela, em tudo igual.Estava abandonado e morto de fome.
Ele me adotou e tive que chamá-lo de Babel, pois é a reescritura da minha gata que se foi.
Estou apaixonada. Viajo hoje, mas sei que muitos fios dos meus pensamentos ficarão com Babel. Essa noite dormimos juntos. Só quem tem gato é que sabe a maravilha que é.
Vou para a Feira de livro de Curitibanos em Santa Catarina.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

EMOÇÔES

Nada havia me preparado para as emoções que viveria ontem na pequena cidade de Magé.
Eu sabia que meus poemas estavam sendo lidos em 60 escolas desde o começo do ano. Havia sido convidada para falar num encontro de dinamizadores de leitura. Só isso eu sabia.
Às sete horas da manhã um carro veio me buscar com o motorista Junior e Rodrigo, professor de geografia.
Ao chegar fui recebida por Paulo e Carlos Henrique, dois meninos lindos, organizadores do evento, que acontecia no galpão imenso de um Clube.
Tendas belíssimas com instalações incríveis, trabalhos feitos a partir dos meus livros.
A Secretária de Educação, recém empossada, disse o que nunca sonhei ouvir: que na sua gestão, leitura e arte seriam a prioridade total nas escolas.
A partir desse momento o que aconteceu no palco foi uma avalanche de beleza, criatividade, surpresa, pura emoção.
Uma bisavó, uma avó, falando meus poemas. Um menino de uns dez anos cantando com o pai ao violão, um samba de sua autoria que fez em minha homenagem. Uma menina-boneca de louça-bailarina, saída da minha infância, dançando a coreografia mais perfeita e linda, um coral de 65 vozes cantando meu poema Receita de Espantar a Tristeza, num ritmo contagiante.
Pausa para o almoço na E.M.Magid Ripani, convite da Professora Katia Costa, que já havia trazido a sua escola na minha casa. Foi um almoço coletivo e maravilhoso. Tive um encontro lindo com as crianças.
E na minha fala li o conto Tudo é Sonho e a interação com a platéia foi uma dádiva.
Terminamos todos dançando no palco, a alegria era tanta e tão contagiante que fazia uma teia dourada onde nos enredamos para sempre, nos fios da poesia.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

MAGÉ

Amanhã vou a Magé falar para uma plateia de oitenta e cinco professores, dinamizadores de leitura.
Falar sobre leitura e formação do leitor é algo que adoro. Aprendi muito sobre leitura trabalhando com o Proler durante três anos, lendo, é claro, e com o meu trabalho aqui em Saquarema. Pude acompanhar passo a passo o deslumbramento de quem nunca pegava um livro e agora já não pode viver sem ler. Tenho lindos depoimentos sobre isso.
E ontem, em nosso encontro aqui em casa com os professores de Saquarema, uma professora nos contou como virar leitora transformou a sua vida, as suas atitudes, antes ela era tão tímida que não conseguia falar e agora tinha ideias e queria expressá-las.
E assim o mês de junho já começa a navegar, entre viagens, encontros, poesia.

terça-feira, 31 de maio de 2016

ESCOLAS DE SAQUAREMA

O encontro de hoje no Café, Pão e Texto com os professores de Saquarema foi maravilhoso. Foi como um debate sobre o que podemos mudar na escola para que a leitura seja o fio condutor de todo o aprendizado.
Como já fiz antes, em outro encontro, listamos tudo o que existe na escola que nos remete a um cárcere, tudo o que provoca a sensação de aprisionamento. E então falamos do que se pode mudar, da literatura e da arte como a saída, o oxigênio, o voo rumo ao que existe de melhor em nós.
Muitos relatos preencheram a nossa manhã.  
Parece que sou uma formiguinha carregando diminutas pétalas de flores.
Esses encontros, onde consigo transtornar algumas mentes e corações, justificam a minha vida.

terça-feira, 24 de maio de 2016

NO ALTO MARINGÁ

Todos os meses, quando venho ficar com a minha família em Visconde de Mauá, durmo um dia na casa da minha irmã ceramista para muito abraços e uma sessão de cinema.
Dividimos a cama, eu, minha irmã, meu cunhado e a Lola, a gata, dois potes gigantes de pipoca. Até a Lola adora pipoca.
Ontem vimos Brooklyn, uma love story bem bonita e Trumann, com o amado Ricardo Darín, um filme absolutamente terrível e maravilhoso. Fiquei tão impactada com o filme que quase não pude dormir, praticamente virei a noite.
Depois do almoço volto para a minha casinha na mata, onde todos os laços com a civilização são precários: o sinal da internet é frágil e o do telefone também. Na minha casa não recebo sinal de nada, se quero ver alguma mensagem tenho que caminhar até o Babel, restaurante do meu filho. O caminho dentro da mata é maravilhoso e me assombro a cada vez. Não tenho sinal de internet mas recebo visitas maravilhosas de guaxos, teiús, tucanos e ontem um temporal com arco íris.
Fico aqui até o dia 30 quando volto para o mar, atravessando não só estradas, mas várias dimensões.


E assim começa o dia:
nas mãos a chuva
se avoluma
enquanto um arco íris
incendeia o coração,
vira o corpo do avesso,
enche de cor as entranhas,
entorna por dentro um novo
caminho.
O vento sussurra
suas frágeis palavras
e é preciso guardá-las
entre os ossos
para que algum dia
virem pássaros.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

ENCONTRO E VIAGEM

Ontem recebi a UMEI Jacy Pacheco, uma creche com 270 crianças lá de Niterói: Uma ideia linda: as crianças se misturam nas atividades. Crianças de idades diferentes.
Conversamos muito sobre leitura. Sobre a infância. Li trechos do livro Casa das Estrelas de Javier Naranjo. Li um conto do meu livro Exercícios de Amor.
Foi muito bom. Estou plena. Virei uma casa de estrelas.
E hoje viajo para a montanha. Meu exercício de mensal irar árvore no meio da mata.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

VASTAS EMOÇÕES

A semana passada foi de vastas emoções. A inauguração de uma Sala de Leitura com meu nome em Sampaio Correia , na E.M.Clotilde me levou para os anéis de Saturno.
Além da beleza fulgurante da Sala sob a batuta da Professora Rosilea, o conceito é absurdamente belo.
Leitura integrada com as disciplinas, um dia de leitura com as mães, carteira de leitor personalizada para levar os livros para casa, um dia de contação de história, um dia de história da arte com a participação de toda a escola. Na Sala há um cantinho da poesia, um cantinho de histórias e um cantinho adolescente! Tudo com tapetes e almofadas pra gente se esparramar lendo e... transbordar.
Com certeza a Sala de Leitura fará uma diferença muito grande no cotidiano dessa belíssima escola.
E as diretoras me contaram que a partir dessa semana ou da outra, irão substituir a campainha horrorosa de fábrica, para marcar os intervalos, por música! O que mais posso pedir?
Na Sala há uma árvore-estante com meu poema Transformação do livro Fábrica de Poesia. Gosto de partir da ideia da semente, pois tudo começa assim, com um sonho. A Sala foi feita com um grande esforço coletivo pois não havia verba. Mas todos ajudaram, inclusive colocando a mão na massa, pintando e bordando.
Todo o meu agradecimento e toda a minha alegria. E vida longa para a Sala de Leitura que leva o meu nome.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

COM AS PROFESSORAS DE ITABORAÍ

Hoje, com um sudoeste querendo entrar, recebi 26 professoras de Itaboraí na minha varanda.
Durante duas horas, depois do café da manhã, falamos de leitura e literatura.
Comecei fazendo com elas uma lista do que na escola se assemelha a um cárcere. Fomos enumerando: grades, portões, filas, uniformes, campainhas estridentes para separar o tempo, carteiras em fila e tudo compartimentado.
E então a literatura é a janela por onde se pode escapar.
Falamos das mudanças possíveis, o que podemos fazer.
Foi muito rico esse encontro. Professoras apaixonadas por leitura e relatos maravilhosos.
Sou a convidada especial da Feira de Livros e já estou sendo lida nas mais de 80 escolas do município.
Depois que elas partiram o Sudoeste entrou e uma poeira de chuva.
Um tempo propício para agarrar um livro

terça-feira, 10 de maio de 2016

CAFÉ, PÃO E TEXTO COM KALU COELHO

Cada encontro do Café, Pão e Texto me diz o caminho. Não tenho nenhum roteiro.
Hoje recebi a Escola Municipalizada Onze de Junho pelas mãos das Professoras Prica Mota, Fabiana, Janaína, Lucine, Aldilea e o Motorista Sérgio.
Um pouco antes do ônibus da escola encostar, a minha convidada especial chegou, Kalu Coelho, trazendo a Diretora de uma escola de Cabo Frio, Eunice e Lilian, professora.  Kalu é musicista e professora de música em Búzios.
O café da manhã já estava na mesa e eles comeram antes da gente começar a conversar, pois estavam com fome, vieram de Itaboraí.
Eu havia acordado às cinco da manhã para preparar tudo.
Logo ganhei um presente da escola: uma caderneta linda, mas a maravilha é que o presente vinha com um texto emocionante escrito por uma aluna, Aldaleia. Ela me diz:
“ Seu poder Sonhador. Com tuas mãos fazes do mundo um melhor lugar.Grande poetisa que descreve tudo com letras.
Você descobriu um mundo encantado. Onde nada faz sentido, porém tudo é belo. Onde cada palavra guarda um profundo significado.
Onde sonhar se torna possível com papel e lápis.
Você Roseana descobriu algo desejado como a alquimia.
Você, minha cara, descobriu como se manter sonhando em um mundo virado ao avesso.”
Kalu fez mísica para um poema do livro Poemas de Céu: Estrela Cadente.
 A sua música , lindíssima, emocionante teve um efeito indescritível em todos nós. As crianças aprenderam e cantaram o refrão.
Fizemos a Orquestra Noturna, do livro Caixinha de Música, mas Kalu, depois do poema, perguntou se eles queriam fazer um temporal e ensinou várias maneiras de bater palmas. De olhos fechados eles fizeram um temporal. Perfeito.
Brincamos com muitos poemas e Kalu explicou para eles o que era música instrumental. Explicou o seu processo de criação, como antes de compor há uma história ou alguém, há um sentimento, há o momento... E todos de olhos fechados, eles ouviram a maravilhosa música Amálgama. No final ela perguntou o que eles pensaram enquanto ouviam a música e Aldalea disse que pensou que essa música talvez tivesse sido feita para alguém, Aldalea havia pensado no pai, pois ontem fora o seu aniversário... Kalu disse que havia incrivelmente feito a música para um amigo que era como um pai, pro grande músico Guinga.
Então falamos sobre a palavra amálgama, essa liga que estava unindo o grupo naquele momento.
Hoje falamos de sentimentos e desejos.
Kalu foi uma grande parceira e estou muito emocionada.  


segunda-feira, 9 de maio de 2016

OGUM E MARIA MOURA

O encontro de sábado do Clube de Leitura da Casa Amarela  foi cheio de ausências e uma presença inesperada.
Dez pessoas faltaram por motivos alegres, trágicos e tristes.
Mas uma pessoa chegou de muito longe e de surpresa.
O Clube é um barco que ondula com gente maravilhosa.
Dr.Messias, meu médico e amigo e irmão há mais de quarenta anos, é um leitor voraz e magnífico e veio do Rio.
Cristiano Mota Mendes, Ronaldo Mota e Ana Amorim, vieram do Rio também. Cristiano é um dos maiores conhecedores de Guimarães Rosa, um leitor absolutamente apaixonado. Seu ofício é ler, embora seja ator e músico. Ronaldo é músico, Ana, bibliotecária e cantora, dona de uma voz lindíssima.
Cris e André vieram de Niterói.. São leitores , Cris é advogada e agora vai dirigir um Clube de Leitura. São novos do grupo.
Delma, professora e orientadora pedagógica veio de São Gonçalo.
Gilcilene, contadora, se descobriu leitora no Clube, e hoje não vive sem ler, trabalha em Saquarema.
César,contador, que tem o coração do tamanho do sol, Bruna, professora em Saquarema, Chico, meu amigo querido, poeta sensível e advogado e vereador , Denise, psicóloga, Adelaide, professora amada pelos adolescentes. Todos vivem aqui.
Começamos com a pergunta instigante de Cristiano para o livro da Rachel de Queiroz:
___ Quem é Maria Moura?
Falamos sobre toda a complexidade desta mulher que se vestia de homem, que atuava como um homem, naquele nordeste tão machista e dos coronéis. Ela era um coronel com seus jagunços.
Mas o que a movia? O que movia seus atos, roubos, assassinatos,? Que mulher era essa?
Esmiuçamos isso, escavamos o seu passado e encontramos tantas contradições em Maria Moura. Ela gostava de dominar. Mas também gostava de ser dominada.
Messias, como médico, disse que era uma perversa.
Adelaide e Gil lembraram que ela agia como homem, mas quando se apaixona, vira uma mulherzinha e desmonta.
Cristiano lembra que o único lugar onde Maria Moura era ela mesma, era no seu cubículo. Ali era o seu lugar de prazer e dor. Ali contava o seu ouro, ali gritava a sua dor.
Eu disse que sinto pouca profundidade nos emaranhados sentimentos de Maria Moura. Há uma barreira que não deixa o leitor mergulhar. Fizemos um paralelo entre Maria Moura e Diadorim e a diferença é gritante. Guimarães Rosa nos deixa penetrar na alma de Diadorim. Cristiano sublinha: é a linguagem de Guimarães que permite isso.
Concordamos que o personagem mais bem resolvido e muito bonito e comovente é o padre.E o casal de saltimbancos também é belíssimo.
O livro, achamos, tem pontos altos e algumas possibilidades que deixaram de ser exploradas.
Mas concordamos também que o romance é muito bem estruturado e que tem um final magnífico, em aberto.
Passamos para o Compadre de Ogum de Jorge Amado. Frisamos que o contraste desses Brasis, a secura do Ceará e a umidade sensual da Bahia, é gritante.
E achamos por unanimidade que é o melhor livro dele! Alegre, brincante, irreverente, engraçadíssimo, delicioso, aborda o sincretismo de uma maneira fantástica. Deveria ser lido por gente de todas as religiões. Sua escrita é bela, poética, deliciosa.
Então alguém disse: _ Tem um moço ali no portão.
Fui ver e achei que estava delirando. Meu amigo, poeta, escritor e psicanalista William Amorim, chegou de surpresa de São Luis do  Maranhão. Perdeu o ônibus no Rio e chegou atrasado.
Então tínhamos quatro maranhenses num grupo de quinze pessoas: ele, Cristiano, Ronaldo e Gilcilene!
Ronaldo e Ana cantaram. Cris e André trouxeram livros para sortear. Chico leu seu novo poema.
O almoço era de comidinha mineira  .
A alegria era um cavalo solto no vento, era Pégaso  galopando no azul.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

__ ESTÁ SERVIDA?

Que eu saiba tenho Salas de Leitura em Duque de Caxias, Realengo, Tomé- Açú, São Bernardo do Campo e agora em Saquarema, na minha cidade.
Peço a essas Salas que me lembrem de enviar livros de vez em quando.
Essa semana enviei o Coração à Deriva para Tomé-Açú, Professora Mira Mendes.
E doei muitos para a escola rural E.M.Clotilde.
O caminho até o correio é belíssimo e há uma parada obrigatória para um pingado com vista para a Lagoa.
Na volta para casa, hoje, dois senhores que trabalham na obra do calçadão aqui da orla, estavam sentados no meio fio comendo com a marmita no colo. Era a hora do almoço.
Eu passei e disse:
- Bom Apetite!
E eles responderam com uma frase que veio lá da minha infância:

-Obrigada! Está servida?

terça-feira, 3 de maio de 2016

SONHOS DE CRIANÇA

Lembro dos meus sonhos quando criança.
Meu pai tinha um armarinho mas eu sonhava com uma papelaria.
Também queria que meu pai tivesse uma carrocinha da Kibon, eram amarelas e lindas.
Não sonhava com viagens. Papelaria com livros além de todas as outras maravilhas e picolé.
Eu tinha uma professora que na hora de muito calor, enquanto escrevíamos, chupava um picolé. Eu tinha tanta inveja, mas tanta, que jurei que  quando crescesse iria ser professora. Só para poder tomar sorvete.
E hoje nem gosto de sorvete! Mas continuo amando papelarias e os livros são a minha verdadeira casa e as minhas mais maravilhosas viagens.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

A MESA DE TRABALHO

Quando chego da montanha, encontro a minha mesa de trabalho transbordando. Porque na minha casinha não tenho internet e fica tudo para a volta.
Sou minha própria empresa e minha própria secretária sem nenhuma competência para isso.
Só gosto de ler, escrever e cozinhar.
Ofícios e notas fiscais e papéis e papéis , eu me perco nesse oceano, quase surto.
Mas consigo atravessar e chegar ao outro lado mais ou menos salva.
Claro que sempre deixo algo para amanhã.
Mas hoje tive uma ideia para um livro novo. E isso me dá fome.
Desculpem, mas preciso tomar um café.

terça-feira, 26 de abril de 2016

A GAROTA DINAMARQUESA

Ontem vi o filme A Garota Dinamarquesa. Uma obra prima que traz questões muito atuais.
Quanto amor e quanto sofrimento.
Deve ser terrível nascer num corpo errado.
Mas o filme me faz também pensar em como as famílias estão mudando. E não se trata mais em estar de acordo ou não.
Não adianta dizer : Não concordo. Não adianta dizer: Para mim a família é o pai , a mãe e o filho.
Devemos é aceitar que agora, às vezes, a família é diferente, tem outra constelação.
O professor vai ter que lidar com isso na escola. A criança vai ter que lidar com isso junto aos seus amigos.
E tentar se colocar no lugar do outro é sempre uma boa receita para se aceitar algo diferente.
E onde a criança for amada e acolhida, em qualquer núcleo que seja, ela estará salva.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

NO ATELIER DE CERÂMICA

Quando venho para Mauá, a cada mês, passo um dia com a minha irmã em seu atelier de cerâmica aqui em Maringá. Somos inseparáveis e quando estou longe nos falamos todos os dias muitas vezes.
Fico aqui no atelier e adoro vê-la trabalhar. Seu ofício é tão diferente do meu, tão duro e tão cansativo e tão lento. Eu preciso apenas de um verso e uma ideia para começar, um pedaço de papel e uma caneta .Mas a cerâmica tem o mistério do fogo e o resultado final é muito emocionante. São muitas etápas, uma queima, esmaltação.  outra queima.
Minha irmã Evelyn Kligerman é uma das grandes ceramistas do Brasil e tenho orgulho dela, da sua tenacidade, do seu talento tão grande.
Tivemos um tio ceramista na Polônia. Ela continuou a linhagem.
E tem mais, à noite vemos dois filmes com pipoca em sua cama.
Hoje vamos ver A Garota Dinamarquesa e A Menina que roubava Livros. A Lola, sua gata, também adora cinema.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

LABIRINTITE

Estive três dias fora do ar por uma crise terrível de labirintite. Experimentei a condição de virar zumbi. E o pior:não podia ler.
Mas hoje estou bem melhor e amanhã zarpo de madrugada para a minha casinha dentro da mata.
Preferiria ir de balão ou de unicórnio, mas o importante é chegar.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

A TUA PELE E A TUA SOMBRA

Vou escrevendo poemas sem a menor pretensão de publicar. Vou juntando, como a gente juntaria um feixe de trigo, de alfazema, de flores do campo. Quando faço um poema sinto uma alegria diferente como se construísse uma ponte imaginária sobre um rio na beira da floresta.Como os poemas me ajudam a respirar, acho que escrever é uma maneira de não ficar sufocada.

A TUA PELE E A TUA SOMBRA

Para que a poesia venha
e pare na tua porta,
há que deixar a porta
aberta,
há que pescar as estrelas mortas
que se derramam
por sobre os telhados
e as gotas de luz
que habitam os interstícios
da dor.
Há que abrir as tramelas
para que as palavras entrem
e desarrumem
a casa e os pensamentos.
Não se pode tocar nas palavras
com medo ou cerimônia,
e preciso deixar que nos acariciem
ou machuquem
e encontrar a música
para cada objeto,
sentimento ou lugar.
Para que a poesia não faça
cerimônia,
ela tem que ser
a tua pele e a tua sombra.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

RIO DAS OSTRAS NA VARANDA

Café, Pão e Texto, uma ideia que deu certo.
Abro a casa para receber escolas públicas e agora professores.
A nossa manhã foi quente e luminosa.
A Secretária de Educação Andrea chegou primeiro, junto com sua principal colaboradora, Lilia, que também é escritora. E me contou:
Em Rio das Ostras há dentro da Secretaria de Educação um Departamento de Leitura e Arte.
Isso faz toda a diferença.
Todos sabemos que uma escola sem literatura e arte não existe, é uma escola morta, um cárcere. E esse Departamento não pode ser extinto pois foi votado pelos vereadores.

Lemos um conto do meu livro Território de Sonhos. Um conto lindo e muita gente se emocionou. Perguntei: Vocês são anjos de quem?
Pois o conto traz essa questão.
Falamos de tudo um pouco. Do que é humano. Falamos de vida e de sonhos. E de resistir.
Ganhei muitos livros e distribui o livro O Amor Possível do meu marido Juan Arias com Saramago.
Algumas professoras são também escritoras.
O afeto era um oceano vivo aqui na varanda.
E a mesa do café estava linda! Com bolos, pão recheado, torta de legumes, beringela italiana...
Agradeço o gesto maravilhoso da Secretaria de Educação, foi o mais lindo presente que recebi, as professoras e um professor. Obrigada.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

AS PALAVRAS

Meu ofício é afiar e cortar palavras. O meu destino é a poesia, faça chuva ou sol, tristeza ou felicidade.
Hoje fala por mim o poeta Eugénio Andrade  .

AS PALAVRAS

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
outras,
orvalho apenas.

Secretas, vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio Andrade

terça-feira, 12 de abril de 2016

DENKOV

Minha irmã Evelyn Kligerman me pergunta:
- Como é mesmo o nome da cidade do papai?
Não sei. Mas tenho uma certidão. Vou olhar.
Procuro a certidão e não acho pois tenho o dom de perder todos os papéis, até mesmo os que são muito importantes.
Mas esta certidão está publicada no livro esgotado O Silêncio dos Descobrimentos. Tenho um exemplar.
A certidão me diz que meu pai nasceu em Denkov, na Polônia.
Foi tirada no Consulado ou Embaixada para ser apresentada ao Serviço de Estrangeiros em 1943.
E não sei mais nada.
Simplesmente porque não perguntei.
Sei apenas que chegou ao Brasil com 14 anos. Veio com a minha avó. E eram muito pobres.
Sei que seu pai foi assassinado.
Sei que na Polônia passava frio e fome. Sei que tinha fome de sol, de arte e beleza e que aprendeu a ler e escrever sozinho. Sei que ouvia música clássica e quando criança me levava aos Concertos para a Juventude, no Teatro Municipal.
Sei que me passou os valores que tenho. Sei que mora dentro de mim, e que hoje quer ser escrito. Meu pai, Lejbus Kligerman.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

CISNE E PEDRA

A mais instigante pergunta que uma criança me fez um dia:
-- O que existe dentro da cabeça de um poeta?
Poesia. Mas como explicar isso?

Antes, quando minha vida estava toda quebrada, onde só havia dor, a minha poesia era diferente da que faço hoje. Mas era bela.
Em 1990 ganhei um concurso nacional de poesia no sul e o livro foi publicado, Pássaros do Absurdo. Hoje existe apenas em versão digital, mas alguns poemas entraram no livro Poesia Essencial.
Não poderia escrever esses poemas hoje, porque embora eu ainda seja aquela pessoa, sou também outra.

E naquela época, quando a criança ainda não tinha perguntado nada, ela nem era nascida, eu havia respondido da seguinte maneira:

POESIA

Juntar cisne e pedra
caminhar pela existência
com esse talho na gargante

no redemoinho das horas
um barco e nas mãos
um punhado de aurora

um poema se faz
com o avesso das águas

domingo, 10 de abril de 2016

PRAÇA DOS PESCADORES

Saímos para caminhar cedinho, antes das seis.
Um maluquinho passou falando e gesticulando. Mas decidiu parar e pedir um cigarro.
Íamos pela beira da lagoa, um lugar de antigas casinhas de pescadores.
O sol nasceu. Atravessamos a ponte e fomos tomar café na padaria.
A dádiva de um café com leite e pão fresco depois de uma longa caminhada.
Nos sentamos na Praça dos Pescadores de frente para a lagoa com sua capelinha, suas flores, garças, gaivotas,montanhas ao longe. Todos os azuis entraram por dentro do meu corpo e se misturaram com meu sangue bem devagarinho.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

CERÂMICA PARA GORIN

Hoje vou ao Rio levar a placa de cerâmica que minha irmã Evelyn Kligerman fez para a Escola que será construída em Gorin. Entregarei a uma pessoa que vai para Paris e de lá Monique Malfatto levará a placa para Burkina Faso.
Minha irmã viveu em Abdjan por quatro anos e sua ligação com a África é profunda. A minha também, pois em nossa linhagem temos a Eunice que foi nossa mãe e nos acolhia em sua cama.A avó da Eunice foi escrava. Sendo assim, fez a placa com muito amor.
Muitas pessoas da minha rede social contribuíram para que a escola fosse construída. Confiaram em mim e nem tenho como agradecer.
Se cada um doasse algo, desse a mão ao outro, tudo seria diferente.

terça-feira, 5 de abril de 2016

SAQUAREMA E BÚZIOS SE ABRAÇAM

O entrelaçamento da E.M. Clotilde de Oliveira Rodrigues e o Coral Encanta Búzios, sob a batuta da Professora Delma Marcelo Dos Santos e do Maestro Moisés Santos, aqui na minha varanda, dentro do Projeto Café, Pão e Texto, foi uma experiência única e maravilhosa.
Preparei todo o café da manhã com as minhas mãos como se fosse a princesa fazendo o bolo no conto da Pele de Asno: com todo o amor.
Primeiro chegou a escola e conversamos sobre a descoberta do Brasil, porque falamos português, sobre a África e a escravidão e a Van de Búzios chegou com o coral.
Fizemos muitas brincadeiras com os poemas. O Coral cantou maravilhosamente para a escola.
Depois lanchamos e quando a escola foi embora o Coral foi para o jardim onde li alguns poemas e conversamos e elas cantaram...e como nos contos de fada fomos felizes para sempre.