terça-feira, 12 de abril de 2016

DENKOV

Minha irmã Evelyn Kligerman me pergunta:
- Como é mesmo o nome da cidade do papai?
Não sei. Mas tenho uma certidão. Vou olhar.
Procuro a certidão e não acho pois tenho o dom de perder todos os papéis, até mesmo os que são muito importantes.
Mas esta certidão está publicada no livro esgotado O Silêncio dos Descobrimentos. Tenho um exemplar.
A certidão me diz que meu pai nasceu em Denkov, na Polônia.
Foi tirada no Consulado ou Embaixada para ser apresentada ao Serviço de Estrangeiros em 1943.
E não sei mais nada.
Simplesmente porque não perguntei.
Sei apenas que chegou ao Brasil com 14 anos. Veio com a minha avó. E eram muito pobres.
Sei que seu pai foi assassinado.
Sei que na Polônia passava frio e fome. Sei que tinha fome de sol, de arte e beleza e que aprendeu a ler e escrever sozinho. Sei que ouvia música clássica e quando criança me levava aos Concertos para a Juventude, no Teatro Municipal.
Sei que me passou os valores que tenho. Sei que mora dentro de mim, e que hoje quer ser escrito. Meu pai, Lejbus Kligerman.

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